Para cumprir minha promessa aqui está o texto sobre mais uma das três palavras tiradas de algumas mensagens que recebi quando completei 52 anos, em dezembro do ano passado. Já escrevi sobre "Renascimento" e agora meu desafio é refletir sobre a "Inquietude".

Inquietude, segundo o site Conceito.de, pode ser "a inclinação do ânimo perante algo", e esse com certeza foi o sentido da palavra ao ser incluída em uma mensagem de felicitações pelo meu aniversário. Assim como a inquietude positiva pode levar uma pessoa a iniciar novos estudos ou a se aventurar em novos empreendimentos ela também pode nos levar a não afundar na apatia, no desânimo ou na paralisia, coisas que, às vezes insistente e sorrateiramente, assediam uma boa parte das pessoas, inclusive eu.



Motivos para ficar "quieto" não faltam: Será que serei capaz? Será que vai dar certo? Será que as pessoas vão gostar? Será que vou ficar feliz com isso? Será que estou no caminho certo? Será? É verdade que há desculpas e motivos bem concretos ou definidos para desistir de algo, mas quando os motivos para não agir vem em forma de perguntas acontece algo curioso (e perigoso): As perguntas nos oferecem o "benefício" das dúvidas e as dúvidas nos dão o terreno perfeito para a má quietude, ou para não agir, ou para a apatia, o desânimo e o conformismo. Por que eu não saio desse lugar? Não sei se vai dar certo. Por que você não tenta um novo caminho? Qual? Por que não tenta uma nova faculdade? Será que vou conseguir terminar?

Definitivamente isso não é bom. Um espírito in-quieto é necessário aqui, pra mim e pra você. Não é possível ser um mal quieto e ser feliz, e aqui alerto para o fato de que a depressão é muito hábil em nos lançar e manter nesse lugar de quietude incapacitante. Por isso me agarrei à essa palavra como uma "tábua salva-vidas", como um náufrago que se agarra àquilo que pode salvar da morte e oferecer uma vida com qualidade, alegria e significado.

A inquietude não é a coisa. A coisa é o que eu posso fazer e a inquietude é o que me leva a sair e fazer a coisa. Inquietude não é o exercício físico mas é o que me leva a fazer o exercício físico. Não é a faculdade, mas é a força que pode me levar à faculdade. O desejo da pessoa que me escreveu é: "Que você tenha uma inquietude dentro do peito, e que ela te leve a fazer coisas muito boas para que seja feliz". Gostei disso. Não há um único caminho apontado, há o desejo de que eu tenha o desejo, o ânimo. Profissional competente como é, sabe que um dos piores inimigos de quem tem depressão é a apatia, a falta de desejo, de vontade, de paixão, mas quando ela, a inquietude, acontece, não nos permitimos ficar parados, porque há uma coisa borbulhando dentro de nós.

Taí uma boa saudação para você nesse momento em que enfrentamos juntos uma séria pandemia: Que alguma coisa esteja borbulhando dentro de você e que uma insistente inquietude aqueça seu coração e faça você sair para algum lugar de significado pleno e duradouro.






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Cathal Mac an Bheatha
Dublin, Ireland