Tenho pensado com muita frequência no que é possível fazer mesmo carregando dentro de mim essa carga de disfuncionamento emocional. Penso nas minhas limitações, dificuldades, medos e ansiedades, e também penso nas responsabilidades adiadas, nas "satisfações" que tenho que dar ao mundo (ou não), e nas consequências de qualquer coisa que possa dar errado.

Nessas ocasiões é muito comum me acontecer um "travamento geral" que me impede de pensar com maturidade e isenção sobre a situação com o propósito de avaliar o que realmente está acontecendo, quais as soluções, qual o alcance dos estragos e quais as possíveis saídas.



Quando passo por dias ruins e enfrento aquelas manhãs, tardes e noites sombrias e cheias de fantasmas me vejo diante da tentação de olhar para todos os caminhos e vê-los como inúteis e imprestáveis. É a velha (e mais fácil) tendência de dizer: Nada adiantará.

Não sendo eu um super-humano passo por essa situação constantemente, e, apesar de não gostar nada disso, percebo que tenho pouquíssima força para evitar toda essa voragem que suga meus pensamentos que acabam travando todo o meu corpo.

Pegar minha Bíblia e ler sobre o encontro de Bartimeu com Jesus me ajuda frequentemente. Ele, cego e pobre mendigo, sentado à beira de uma estrada, ouve alguém dizer que Jesus estava próximo. Imediatamente ele começou a gritar dizendo: "Filho de Davi, tem misericórdia de mim". Para a surpresa de todos, Jesus, ouvindo seus gritos, mandou alguém chamá-lo. A Bíblia diz que Bartimeu no mesmo instante tirou sua capa e foi se encontrar com o Cristo.

Com Bartimeu, um cego mendigo de Jericó, podemos aprender muitas coisas sobre a misericórdia e o poder de Jesus, mas aprendemos também com ele, o próprio Bartimeu.

O que me chama à atenção é que Bartimeu era cego. Note bem: Ele era cego, mas ouvia, ele era cego, mas falava, ele era cego, mas andava. Quantos estão cegos, e pensam que não podem ouvir, falar, e andar? Quantos estão enfrentando dificuldades em áreas importantes de suas vidas, e pensam que não podem fazer outras coisas igualmente importantes.

Tem gente, como eu e você, que não sabe tudo, mas sabe fazer muitas outras coisas. Tem gente que não pode algumas coisas, mas pode muitas outras. Há momentos em que não conseguimos fazer muitas coisas (ou nada mesmo), mas conseguimos fazer outras. Todos nós somos assim, temos limitações momentâneas ou não, mas possuímos uma variedade de muitas outras capacidades. pensou se Bartimeu, porque era cego, se recusasse a ouvir, falar, e andar? Fazendo uso de suas capacidades vitais ainda saudáveis ele foi até Jesus, que o curou da cegueira.

Eu preciso reaprender a considerar de forma realista minhas próprias limitações, clamando pela misericórdia Divina sobre elas, mas preciso também, aprender a valorizar e a acreditar de forma saudável, em minhas qualidades, possibilidades e talentos.

Isso é muito difícil, mas preciso tentar...

(Marcos 10:46-52)