Quase dois meses após meu aniversário, quando completei cinquenta e dois anos de idade, resolvi finalmente escrever sobre três expressões que chamaram minha atenção nas diversas mensagens que recebi de pessoas queridas me parabenizando. Aqui estão elas: Renascimento, Inquietude, e Dinamismo. As três palavras foram escritas nas mensagens de pessoas muito próximas a mim, pessoas que acompanham tudo o que enfrentei e enfrento desde 2013 quando uma tempestade me abateu. Hoje já desfruto (não sei se posso usar essa palavra) de uma melhora considerável e, mesmo que o bom senso me obrigue a ter atenção, percebo um avanço desejado e muito bem-vindo.

Renascimento é o mesmo que renascer e significa nascer de novo, ter uma nova vida, uma nova existência. Muitas vezes usamos essa palavra para nos referirmos a uma pessoa que, passando por grandes dificuldades na vida, uma grande crise, grandes perdas e perigos de morte, consegue "renascer das cinzas" e experimentar uma nova vida a partir dali. Renascer é olhar para frente, é acreditar, é seguir em frente. Não é incomum que o renascimento inclua uma mudança radical na vida, o que era já não é mais e agora tudo mudou, vida diferente, gostos diferentes, hábitos diferentes, cidade diferente, pensamentos diferentes e religiosidade diferente.



Quando recebi a mensagem falando de renascimento fiquei muito feliz. A primeira coisa que pensei foi: "Ela acredita no meu renascimento", e isso me encheu de esperança. É certo que com a ajuda de muitas pessoas já estou renascendo faz tempo e agora continuo nascendo de novo a cada dia.

Eu tenho dois problemas e duas coisas boas a falar sobre o renascimento: O primeiro problema é que para renascer tem que morrer e eu morri. Morri para muitas coisas e uma parte de mim morreu. O lado ruim é que é muito difícil deixar essas coisas irem embora, definitivamente, e é muito dolorido ver uma parte de mim mesmo que cultivei e alimentei durante mais de quarenta anos ser deixada para trás. É muito sofrido, mas necessário. O segundo é que o renascimento inclui ir para algum lugar, ser alguma coisa que não era. Uma nova vida é movimento, é ação, mas... pra onde? É ser o quê? Fazer o quê? Ainda não tenho essas respostas, estou em busca delas e não paro de procurar. Essa situação me deixa aflito e não saber nem mesmo se isso se resolverá definitivamente um dia me deixa mais aflito ainda. Ainda assim prossigo nesse processo de renascimento.

A primeira coisa boa a falar sobre o renascimento é que ele é uma experiência incrível de libertação e liberdade. Admito que a parte de mim que bateu as botas era indesejável, aprisionadora, cansativa e enganosa. Acho que quase todo mundo tem coisas que gostariam de deixar para trás e eu (com a ajuda de muita gente) estou conseguindo fazer isso. Deixar morrer está sendo um ato de renascimento, e uma experiência de liberdade extraordinária. A segunda coisa boa é que o renascimento é um livro aberto, um livro com páginas em branco para que sejam preenchidas com uma história novinha e, adivinhe, escrita por mim mesmo. Não é maravilhoso? Sim, eu com cinquenta e dois anos de idade ganhei um livro em branco para escrever minha história a partir de um renascimento, que bom.

Assim vou renascendo todos os dias, alguns mais tranquilos, e em outros a "tenebrosa" ainda vem me assustar, mas prossigo. As outras palavras são Inquietude e Dinamismo, que serão temas dos próximos textos, que prometo escrever ainda em 2020.


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